O secretário de Fazenda de Maceió, João Felipe Alves Borges, foi alvo de uma operação da Polícia Federal deflagrada nesta segunda-feira (10). A investigação apura aplicações de aproximadamente R$ 97 milhões do Instituto de Previdência dos Servidores Públicos de Maceió (Iprev) em letras financeiras do Banco Master.
Na época em que os investimentos foram aprovados, João Felipe integrava o Conselho de Administração do Iprev. A operação foi autorizada pelo ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), André Mendonça, que determinou o cumprimento de mandados de busca e apreensão.
Segundo a decisão judicial, o Conselho de Administração do instituto tinha entre suas atribuições a definição das diretrizes e da política de investimentos. A Secretaria Municipal de Fazenda, por sua vez, mantém relação institucional com a administração financeira do município e com a cobertura de eventuais insuficiências do regime próprio de previdência.
A investigação busca documentos, comunicações, agendas e outros dados que possam ajudar a esclarecer as decisões relacionadas aos investimentos e eventuais conexões entre os envolvidos.
De acordo com a Polícia Federal, o processo que levou às aplicações pode ter apresentado falhas em etapas de governança. Entre os pontos levantados estão a ausência de estudos comparativos independentes e a utilização de propostas apresentadas pela própria instituição financeira que recebeu os recursos.
A PF também investiga a possibilidade de que tenha ocorrido direcionamento dos investimentos, além de uma exposição considerada elevada do patrimônio previdenciário a ativos de maior risco e com baixa liquidez.
R$ 97 milhões foram aplicados no Banco Master
Os investimentos do Iprev de Maceió foram realizados em duas etapas. Em dezembro de 2023, o instituto aprovou uma aplicação de R$ 80 milhões em letras financeiras emitidas pelo Banco Master. Já em maio de 2024, outros R$ 17 milhões foram destinados à instituição.
As decisões ocorreram durante a gestão do então prefeito JHC, que atualmente é candidato ao governo de Alagoas.
A operação da Polícia Federal busca esclarecer as circunstâncias das aplicações e verificar se houve irregularidades na tomada de decisões envolvendo os recursos previdenciários.
As investigações continuam, e os alvos da operação ainda serão analisados pelas autoridades responsáveis pelo caso.